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A cartomante
Machado. Um Conto · Conto 1

A cartomante

Narração

Conto “A cartomante”, de Machado de Assis, publicado na Gazeta de Notícias, em 28 de novembro de 1884, presente no livro Várias Histórias (1896), lido por Victor Creti.

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Conversa — Entrevista com Fernanda Marra

Talvez o conto mais popular de Machado de Assis, provavelmente o mais lido por estudantes de ensino fundamental e médio, figurinha garantida nas coletâneas escolares, A cartomante enquadra, no centro do enredo, um casal adúltero: a bela e crédula Rita e o ingênuo e frívolo Camilo. A personagem que dá nome ao conto aparece apenas duas vezes: primeiramente em retrospectiva, quando Rita conta a Camilo sua visita à sibila: “declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade.” Na segunda vez, o narrador nos expõe a visita que o próprio Camilo faz à adivinha, dessa vez inquieto e nervoso por causa da carta recebida de Vilela, amigo e marido de Rita: “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora.” O final é conhecido: famigerado crime passional. A fortuna crítica sobre A cartomante é vasta e rica. São algumas as camadas de leitura: a historieta melodramática, emaranhada na vulgaridade; o plano das superstições, dos vaticínios e o capricho do destino; o papel da causalidade ou do acaso; a vertigem das referências, citações, paródias; o dispositivo do triângulo amoroso... seja como for, me parece proveitoso desconfiar: nas tragédias clássicas, as profecias são sempre preocupantes, não calmantes como as da nossa cartomante da Rua da Guarda Velha. Neste episódio, nossa convidada é a Fernanda Marra, psicanalista, contista e poeta, servidora pública e doutora em literatura, e ela vai nos oferecer uma chave de leitura bastante original que tem tudo a ver com os descuidos do casal central, com a vulgaridade desse triângulo amoroso e com a má administração do colóquio.

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