
Capítulo dos Chapéus
Narração
Conto “Capítulo dos Chapéus”, de Machado de Assis, publicado A Estação, em 15 e 31 de agosto e em 15 de setembro de 1883, presente no livro Histórias Sem Data (1884), lido por Eugênia Fraietta.
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O narrador convoca a Musa para responder à pergunta que abre este conto: “Qual a causa de tamanho alvoroço?”. Mariana, nossa protagonista, leitora obsessiva de Moreninha, Ivanhoé e o pirata e Mot de l’enigme, faz um pedido ao marido Conrado: “- Pois não vá mais à cidade com aquele chapéu.” É este pedido, aparentemente despropositado, feito por essa criatura meiga de “uma plasticidade de encomenda”, e respondido com ironia e desdém pelo marido a causa do tal “alvoroço”. Um passeio pela vertiginosa Rua do Ouvidor para ver vitrines e “outros chapéus bonitos e graves” com sua amiga Sofia é o efeito imediato – e extremamente desdobrável - desse alvoroço: “um certo demônio soprava nela as fúrias da vingança”. Para conversar sobre esse conto-passeio chamamos a Helissa Soares, doutora em literatura, professora de literatura, criadora e apresentadora do podcast especializado em literatura Didosseia. Helissa propõe avaliar o contraste de Mariana antes e depois do passeio e como Mariana e Sofia performam liberdade no passeio público. Falamos sobre flannerie e autonomia feminina, sobre como a cidade recebe as mulheres, como mulheres são socializadas e como aplicam suas habilidades dentro e fora do casamento, como, enfim, Machado mostra imensa compreensão sobre o lugar da mulher na sociedade.
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