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Jogo do bicho
Machado. Um Conto · Conto 5

Jogo do bicho

Narração

Conto “Jogo do bicho”, de Machado de Assis, publicado no Almanaque Brasileiro Garnier, em 1904, presente na coletânea Almanaque Brasileiro Garnier (1904), lido por Eugênia Fraietta.

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Conversa — Entrevista com Flora Thomson-DeVeaux

Empregado de um dos arsenais de Guerra do Rio de Janeiro, com duzentos mil-réis mensais, casado com Joaninha, um filho, uma promoção frustrada, dívidas acumulando, ordenados comprometidos, trabalhos particulares às escondidas: este é nosso protagonista Camilo, ou Camilinho para os chegados. Com um trabalho que o remunera miseravelmente e sem padrinho, Camilo aposta tudo – seus poucos caraminguás e suas esperanças – no jogo do bicho. O jogo do bicho é absolutamente regido pelo aleatório e dispensa qualquer potencialidade do jogador e ainda assim figura para o protagonista como uma possibilidade mais concreta e mais próspera que o trabalho. Por sua vez, o trabalho lhe nega qualquer chance de alterar seu destino, sua condição social. Depois de várias tentativas, Camilo finalmente ganha: dera o leão! O prêmio é retumbantemente desproporcional frente às dívidas, mas Camilo não acusa o golpe. Finca o pé na mais absoluta alienação e se entrega sem reservas à realização plena do desejo: um jantar com sobremesa e vinho do porto e uma joia (um broche modesto) para a esposa. Nossa convidada neste episódio é a tradutora, escritora e podcaster Flora Thomson-DeVeaux. A Flora escolheu esse conto na sorte. Movida pelo desafio que lhe propomos, apostou no Jogo do Bicho e deu bom! Flora se atentou a como a contabilidade permeia toda a trajetória de Camilo que vai reduzindo tudo a números (mas ironicamente não encara o déficit das apostas) e chamou a atenção à participação da esposa do protagonista: Joaninha atua pelas bordas, não reclama, costura pra fora ignorando a verdadeira situação das dívidas do marido. Toda a família depende de Camilo que decide, sozinho, como gastar o prêmio. Como bem disse a Flora “O conto é o Brasil.”

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