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O Alienista
Machado. Um Conto · Conto 6

O Alienista

Narração

Conto “O Alienista”, de Machado de Assis, publicado em A Estação de outubro de 1881 a março de 1882, presente no livro Papéis Avulsos (1882), lido por Eugênia Fraietta e Victor Creti.

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Conversa — Entrevista com Luciano Montalvão

Em pleno reinado eufórico do Positivismo, que cooptava as ciências humanas sob a batuta do método das ciências naturais, Machado publica O alienista (vale a nota de tê-lo feito cinco anos antes de Stevenson ter publicado O médico e o Mostro). O alienista é uma crítica dura ao cientificismo estreito e esquemático expondo sem rodeios e “biocos” a desconfiança e o desacordo crítico de seu autor com o Positivismo e seus tentáculos políticos e psíquicos. Como tantos já sabem, o conto-novela acompanha o médico Simão Bacamarte em seu empreendimento obsessivo, delirante e pretencioso do asilo Casa Verde. O primeiro golpe sofrido por Bacamarte é a frustração retumbante de seu projeto de descendência com Dona Evarista, a esposa escolhida com base no rigor absoluto das “condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem” exatamente para a única finalidade de “dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes”, mas que, ao fim e ao cabo, “não lhe deu filhos robustos nem mofinos”. Pelo menos na ficção, devemos essa a Dona Evarista: “a total extinção da dinastia dos Bacamartes”. Por outro lado, é justamente dessa tão fundamental decepção que toda a dedicação do nosso médico se volta para “o recanto psíquico – o exame da patologia cerebral” e decide “meter os loucos na mesma casa, vivendo em comum.” O desfecho, célebre, é de uma ironia ao mesmo tempo patética, ridícula e exemplar da captura ideológica do protagonista pela imagem da “convicção científica” do verdadeiro médico. Bacamarte, único exemplar do mais “perfeito equilíbrio mental”, após liberar todos os internos da Casa Verde, se interna a si mesmo: “Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezessete meses, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada.” Boris Schnaiderman diz que “Uma obra literária não é apenas seu texto escrito, mas também todas as leituras que se fizeram dele, todas as interpretações a que deu origem.” Fomos, então, para mais uma leitura de O alienista com o Luciano Alvarenga, psicólogo e psicanalista, e conversamos sobre a loucura como objeto a ser compreendido e classificado, sobre a funcionalidade do indivíduo como critério de saúde mental, sobre como o sofrimento constitui e singulariza o sujeito, sobre DSM e diagnósticos na atualidade e, claro, sobre a atualidade em Machado de Assis.

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